Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – Nº 137 /setembro de 2021

Equipe Responsável: Prof. Dr. Edson Roberto Vieira e Prof. Dr Antônio Marcos de Queiroz

 

Os últimos dados das chamadas “Tábuas de Mortalidade”, calculadas pelo IBGE, dão conta de que a esperança de vida ao nascer para a população brasileira em 2019 atingiu 76,6 anos. Para os homens, o indicador alcançou 73,1 anos e para as mulheres 80,1 anos, com elevação de 3 meses e 7 dias para os primeiros e de 2 meses e 23 dias para as últimas, na comparação com 2018. No caso de Goiás, a esperança de vida ao nascer também vem melhorando ao longo dos anos, não obstante ainda situar-se abaixo da média nacional. Para o total da população do estado, era de 74,7 anos em 2019, com 71,5 anos para os homens, 6,5 anos a menos do que a das mulheres, cujo indicador era de 78,0 anos. 

A publicação do IBGE revela que há no país um processo de elevação da expectativa de vida ao nascer desde a década de 1940. De lá para cá, a expectativa de vida da população brasileira experimentou um aumento de 31,1 anos para ambos os sexos, como resultado dos avanços verificados na medicina, decorrentes, em primeiro lugar, do surgimento e da disponibilização de antibióticos, fundamentais para a redução da mortalidade infantil. Se, no início da década de 1940 ocorriam no Brasil cerca de 147,0 óbitos de crianças menores de 1 ano para cada 1.000 nascidos vivos, este número que caiu drasticamente ao longo dos anos, alcançando 11,9 em 2019 (queda de 91,9%). Além disso, no período mais recente, o documento chama a atenção para as campanhas de vacinação em massa, atenção ao pré-natal, aleitamento materno, agentes comunitários de saúde e programas de nutrição infantil, etc. Em outros campos, que não especificamente o da saúde, enfatiza-se a elevação do nível de renda da população, acompanhada do aumento da escolaridade e da proporção de domicílios com saneamento básico adequado, com resultados importantes no aumento da expectativa de vida da população doméstica. 

Um outro fato que merece menção neste processo é o aumento da longevidade dos brasileiros, em razão da queda da mortalidade da população idosa, especialmente daquela com mais de 80 anos. Em 1940, de cada 1000 pessoas que atingiam os 65 anos de idade, 259 atingiriam os 80 anos ou mais. Já em 2019, 641 pessoas desta faixa etária completariam os 80 anos. Especificamente para essa faixa da população, cumpre salientar a melhoria observada no tratamento de doenças crônicas e de outras doenças mais afetas à população idosa, como arterioesclerose, mal de Alzheimer, doenças cardiovasculares e enfermidades hipertensivas. Esse processo, aliado à redução da taxa de fecundidade no país, fundamentalmente a partir da segunda metade da década de 1960, tem tido como resultado o envelhecimento da população e o consequente estreitamento da base da pirâmide etária do país.

No estado de Goiás também se verificou um aumento do número de pessoas com mais de 65 anos. Considerando cada mil pessoas que chegavam aos 60 anos no estado, 310 atingiam os 80 anos de idade, em 1980, número que passou para 563 em 2019. Pelas últimas projeções realizadas pelo IBGE, Goiás possui atualmente quase 280 mil pessoas com 65 anos ou mais, contra cerca de 181 mil registradas em 2010, apresentando um aumento de 54,5% desse contingente. Desse total, 7.518 possuíam 90 anos ou mais em 2021, com aumento de 77,9% em relação às 4.226 pessoas que estavam nessa faixa etária em 2010. 

No caso da população com 100 anos ou mais, muito embora os dados disponíveis sejam do ano de 2010, vale a pena registrar que naquele ano existiam 675 pessoas dessa faixa etária em Goiás. É interessante apresentar aqui o perfil dessas pessoas, que sugere que o papel do Estado é fundamental para ampará-las: a maioria (16,6%) vivia na capital; 61,2% eram mulheres; 62,5% residiam na zona urbana; 70% não eram alfabetizadas; 55,0% se declararam pretas ou pardas; 53,4% residiam em domicílios com rendimento per capita entre ½ e 1 salário mínimo e cerca de 30 não possuem planos de saúde. No Brasil, também tem aumentado o número de pessoas com 100 anos ou mais, seguindo uma tendência mundial. O Censo de 2010 revelou que o país possuía 24,2 mil pessoas nessa condição naquele ano, tendo em vista a intensificação do processo de envelhecimento da população brasileira.

Um dos fatores que parecem ter retardado o aumento ainda maior da expectativa de vida ao nascer no Brasil são as mortes motivadas por causas externas ou não naturais, que abrangem aquelas decorrentes de homicídios, suicídios, acidentes de trânsito, afogamentos, quedas acidentais etc. Este tipo de morte, além de comprometer o maior avanço da expectativa de vida no país, é fundamental para explicar porque o indicador feminino é maior do que o masculino. Assim, a despeito do aumento da expectativa de vida ao nascer no Brasil, os indicadores de outros países sinalizam que ainda há espaço para melhoria do indicador doméstico. O Japão, por exemplo, possui expectativa de vida ao nascer de 84,4 anos (a maior em nível mundial), vindo antes da Itália, Singapura e Suíça.

Em suma, as informações disponíveis apontam que o aumento do número de pessoas idosas é algo que vem ocorrendo na grande maioria dos países. O Brasil tem seguido na esteira desse processo, assim como o estado de Goiás, mas há espaço para avançar, especialmente no que tange à redução do número de mortes violentas. Por outro lado, o envelhecimento da população impõe desafios importantes do ponto de vista das políticas públicas. Há de se zelar para que sejam implementadas medidas específicas para garantir o acesso do crescente número de idosos aos serviços de saúde de que necessitam nesse estágio da vida. Ademais, essas medidas devem vir acompanhadas de outras, visando estimular a adoção de hábitos e estilos de vida saudáveis, da oferta de serviços de cultura, integração e lazer, notadamente para os idosos de baixa renda.