Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – Nº 128 / dezembro de 2020

Equipe Responsável: Prof. Dr. Edson Roberto Vieira e Prof. Dr Antônio Marcos de Queiroz

Neste último boletim de 2020, muito embora os dados do ano não estejam todos fechados, vale a pena fazer um breve balanço do que ocorreu na economia do estado de Goiás, com uma passada também pelo âmbito nacional. 

Depois dos tombos históricos que levaram os setores de indústria, comércio e serviços de março/2020 a maio/2020, por conta dos efeitos da pandemia do Coronavírus, que fechou os estabelecimentos não essenciais em grande parte do país no período e mudou os hábitos da população, houve recuperação, mas de forma desigual no estado e no país. 

O comércio varejista recuperou as perdas em nível nacional já em setembro/2020, só que, em Goiás, acumula queda de 1,8% até outubro/2020. Já os resultados da produção industrial nessas duas regiões vão na contramão do que ocorreu no comércio: no Brasil registram queda de 6,3% e, por aqui, aumento de 0,7% até outubro/2020. (Ocorre que cerca de 40,0% do que é produzido pela indústria goiana têm origem na produção de alimentos e bebidas, cujo consumo observou elevação durante a pandemia, seja pelo aumento das exportações, seja por conta do crescimento das vendas impulsionadas pelo auxílio emergencial). O setor de serviços, por sua vez, continua sendo o mais afetado pela pandemia. Este setor envolve atividades cuja dinâmica depende muito da aglomeração de pessoas, tendo como exemplo emblemático disso as atividades de entretenimento, cultura, eventos e, por conseguinte, turismo. No Brasil, tal setor acumula queda de 8,7% e, em Goiás, de 8,8% até outubro/2020. 

Não por acaso, o desemprego continua elevado. Em nível nacional, os últimos dados da Pnad Contínua do IBGE indicam haver 14,1% milhões de pessoas procurando emprego, com uma taxa de desocupação de 14,3%; em Goiás, o desemprego atinge 446 mil pessoas e a taxa alcançou no 1° trimestre de 2020 (último dado disponível) 11,3%, a segunda maior da série histórica (menor apenas do que a do 1° trimestre de 2017).

Tem sido lugar comum na opinião de muitos analistas que, ainda que não sejam os resultados dos sonhos, eles só se tornaram possíveis em razão do pagamento do auxílio emergencial, que atingiu 43% dos domicílios goianos e 44% dos nacionais, envolvendo cerca de 67 milhões de pessoas. Aqui, cabe um comentário importante: ao lado das exportações, o auxílio emergencial tem sido apontado com um dos fatores que contribuíram para elevar a inflação de 2020. O IPCA-15 desse ano já foi encerrado pelo IBGE, com um resultado de 4,23% para o Brasil (acima do centro da meta de 4,0%) e de 4.03% para Goiânia, ao passo em que as expectativas captadas pelo Relatório de Mercado do Banco Central em março/2020 apontavam para 3,20%.

Isto posto, a dúvida primeira que se coloca é qual será a dinâmica da economia após o fim desse auxílio, considerando o desemprego em alta e a inflação fora do centro da meta? Essa resposta é determinante, por exemplo, para a definição da taxa básica de juros, Selic, que se encontra na sua mínima histórica (2,0% ao ano), a qual, como se sabe, exerce grande influência sobre os financiamentos de pessoas físicas e jurídicas que ajudam a impulsionar o crescimento econômico e gerar empregos.

Ademais, no caso de Goiás e das outras UF´s, é importante que se considere que os repasses recebidos do Governo Federal em 2020 para o combate à Pandemia dificilmente se repetirão em 2021. Este é um aspecto particularmente relevante para as contas públicas goianas, haja vista que o estado se encontra em dificuldade para fechar suas contas, o que se tem conseguido apenas às custas da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a suspensão do pagamento das sua dívida com a União até dezembro/2020.

 

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