Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás

Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás – Nº 135 /julho de 2021

Equipe Responsável: Prof. Dr. Edson Roberto Vieira e Prof. Dr Antônio Marcos de Queiroz

 

Os resultados de julho/2021 do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), prévia da inflação oficial do país, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), levaram muitos agentes do mercado a apostarem mais fortemente em um aumento maior da taxa básica de juros da economia brasileira, Selic, para este ano. O indicador já acumula 4,88% em 2021 e 8,13% nos últimos 12 meses, tendo registrado a maior variação para o mês de julho desde 2004.

A crise hídrica voltou a pesar sobre o índice, puxando a alta de 2,14% do grupo Habitação, que, dentre os nove grupos pesquisados pelo IBGE, foi o que teve maior impacto no índice de julho/2021. A segunda maior contribuição veio do grupo de Transportes, o qual, no ano, é o que registra maior variação (9,09%) – estando à frente justamente do grupo Habitação, que acumula aumento de 6,61% em 2021.

As reduções das restrições ao distanciamento social que têm sido promovidas pelos Governos estaduais e municipais, juntamente com o avanço no número de pessoas vacinadas, parecem estar se refletindo no aumento dos preços dos serviços no país, grupo amplo, que envolve cabeleireiros, manicures, seguro de veículos, aluguéis, empregado doméstico, etc. Este grupo gera preocupações adicionais acerca do aumento da inflação, especialmente por conta de sua amplitude. 

Entre os itens e subitens levantados pelo IBGE, aquele que registrou a maior alta em julho foi o de passagens áreas, com alta de 35,64%. Os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, PMS, também do IBGE, ajudam a entender a elevação dos preços das passagens aéreas no país. No caso específico do transporte aéreo, houve aumento de 217,1% do ritmo da atividade em relação a maio/2020, sinalizando haver recuperação do setor de turismo brasileiro. Conforme mostra a figura abaixo, após a queda registrada em março/2021, por conta da segunda onda da pandemia da Covid-19, o setor vem se recuperando e registrou em maio/2021 crescimento de 18,2% na comparação com abril/2021 e de 102,2% em relação ao mesmo mês de 2020. Embora ainda não tenha atingido o patamar do período pré-pandemia da Covid-19, e a despeito dos aumentos das passagens aéreas, a recuperação do setor de turismo é fundamental para reduzir a taxa de desocupação no país. 

Outros setores, como a indústria e o comércio já ultrapassaram o nível de atividade atingido antes da pandemia. Contudo, o IBGE continua registrando aumento do desemprego. Por óbvio, a evolução mais ampla da economia brasileira depende da continuidade da melhoria do cenário pandêmico doméstico e externo. Informações da Universidade Johns Hopkins apontam que, em números absolutos, o Brasil é o quinto país do mundo em termos do número de pessoas completamente vacinadas (com duas doses da vacina ou com uma dose da vacina do laboratório Janssen), com um total 40,5 milhões de pessoas imunizadas. Contudo, em termos relativos, o país figura numa posição bem menos privilegiada, com aproximadamente de 19,2% da população completamente vacinada, situando-se na 66ª posição em nível mundial.

Além da questão da vacinação, as preocupações neste momento estão voltadas para a variante Delta, da Covid-19. De acordo com o Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), essa variante será responsável por cerca de 90,0% dos casos da União Europeia até agosto/2021. A Organização Mundial da Saúde (OMS) salienta que a variante Delta tem duas vezes mais capacidade de contágio do que a Sars-Cov-2 e que, considerando as tendências atuais, essa variante deverá se tornar dominante em nível global nos próximos meses. No caso do Brasil, o Ministério da Saúde informa que, até o dia 27 de julho/2021, já tinham sido confirmados 169 casos da variante Delta no país. 

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) salienta que para minimizar o impacto do avanço da variante Delta sobre a saúde e sobre a economia dos países, é fundamental que a população seja completamente vacinada. Nos Estados Unidos, país que possui vacinas, mas onde boa parte da população decidiu não se vacinar, foram mantidas neste mês as restrições e viagens para entrar em seu território diante do aumento dos casos de covid-19 pela variante Delta. Fica cada vez mais claro que o avanço da economia não se dará sem o controle da pandemia, sobretudo pela via do aumento do número de pessoas vacinadas. 

Essas lições são fundamentais para o Brasil, haja vista que o país ainda conta com um percentual relativamente baixo da população completamente imunizada e que a isso se junta o avanço das flexibilizações das medidas de distanciamento social. A evolução dos indicadores econômicos deve se dar de mãos dadas com o controle consistente e duradouro do quadro pandêmico no país.